Vila da Ponte
Era garoto, e fui, quando encontrei impressa a imagem deste canastro. Era num carteira de fósforos e tinha a ’saborosa’ legenda de Chaves.
Na altura o mundo já sofria de macrocefalia — era coisa essencial nessa altura — e a referência da altura seria Chaves. Havia por lá um quartel e muitos mancebos de então fazia a sua entrada em uma outra vida nesses momentos de tropa. Assim o contam. Provavelmente alguns referenciariam o lugar… Por isso, embora não pudesse ser grande referência e tudo devesse à verdade, a imagem colocava este canastro em Chaves. Ainda hoje lá está…
Até aquela cadeira que um zeloso “pescador” deixou voltada para o rio Rabagão!
Boticas 1
Saindo de Carvalhelhos e tomada a 311 para Salto, um pulo breve a um lugarejo que pasmava logo ali. Não havia gente nas ruas, um ou outro rosto furtivo e envergonhado negrejou num postigo, forçando a contra-luz a ausência de quem estava bem perto. A mesma calma, o mesmo ar, as mesmas ruas pejadas do trabalho de ontem.
Logo depois, bruscamente, a sedução de umas penedias sem fim, e os lugares frios que se seguiram aconchegavam-se nos poucos rostos que acudiam ao caminho…
No fim, as Casas da Serra, onde a presença humana se indiciava apenas pelo calor de uma lareira que aquecia num solilóquio fumarento quem não vimos. As pedras, essas rochas mal arrumadas serra acima, atravancando de incómodos a paz de espírito de alguém, ofereciam o seu dorso duro à volúpia, e vamos crendo que quando o tempo nos deixar lá voltar, não estarão lá todas, nem pena resistirá em mais ninguém que assim seja, tenha que ser assim ou venha a ser assim.
A véspera da Páscoa de uns de outros apressava o passo de todos, a borrasca era eminente e o tempo de ficar um pouco mais, de verter em horas de memória experiências de minutos breves ficou adiada para outra oportunidade.
Vila da Ponte.
Pondarado. Ponte sobre o rio Rabagão
Sobre este local e as peripécias bem recentes da construção desse «monumento» erguido pelo povo se canta um poema que começa com a prova de amizade entre Vila da Ponte e Ladrugães, a aldeia que fica numa das pontas desta ponte. Tenho algures parte do poema sem saber da sua fidelidade ao original. O seu autor, ao que dizem, morreu há tempos no Brasil!.




